O Cérebro Normal

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A Busca pelo Cérebro “Normal”

O Cérebro Normal

Imagine algo complexo e individual – talvez um micro eco-sistema entre as montanhas e o mar. Ele tem seus próprios padrões de clima – pode ser que chova mais naquela área do que a 5 milhas de distância. As temperaturas podem ser muito diferentes. Aves e insetos que vivem lá talvez não consigam se dar tão bem do outro lado da montanha. É uma complexa e entrelaçada homeostase, muito parecido com um cérebro humano.

Qual seria o benefício de comparar dezenas de diferentes medidas deste ecossistema com cinquenta outros? Compare a média da temperatura máxima em 3 de janeiro, as chuvas em 12 de abril, a relação entre árvores decíduas e árvores verdes. Isso realmente lhe diria se o seu pequeno ecossistema é “normal”? Seria um exercício bobo, porque o conceito de “normal” não é particularmente útil quando se olha para sistemas altamente individualizados, que se desenvolveram em resposta ao seu ambiente – assim como o cérebro humano.

O Banco de Dados Cerebral

Pesquisadores como Roy E. John e Robert Thatcher começaram a produzir bases de dados de EEG no final de 1980. A base de dados de Thatcher, que por anos foi conhecida como o banco de dados de lesão cerebral, agora se tornou uma fonte de “normas”. Pesquisadores usam esses arquivos como “populações” estatísticas para comparar com subgrupos da população (por exemplo, pessoas ansiosas, pessoas desatentas, etc.), para buscar medidas que diferenciem de maneira confiável o subgrupo do restante da população. Isso parece uma coisa bem útil, tão útil como, por exemplo, comparar os ecossistemas urbanos do 40º paralelo, com todos os ecossistemas – não para ver se eles são normais, mas para ver como se diferem.

Recentemente tornou-se um grande negócio vender o acesso a esses bancos de dados para clínicos que pretendem treinar cérebros individuais, acreditando que, ao treinar para modificar várias medidas, em todo o cérebro ao mesmo tempo, para torná-lo mais “normalizado”, o cérebro do indivíduo se tornará mais funcional.

O que é “Normal”

As chamadas “normas” produzidas por esses bancos de dados são na verdade médias, com uma série de desvios padrão em torno delas. Deste modo, o termo cérebro “mediano” poderia ser mais preciso. Eles descrevem o cérebro produzindo dezenas de sobreposições de curvas em forma de sino.

A maioria de nós não esperaria que um poeta e um contador tivessem o mesmo cérebro. Então, qual seria o “normal”? Uma vez que um é provavelmente forte na linguagem e nas imagens, e o outro em números, provavelmente NENHUM deles é exatamente mediano. Certamente poder-se-ia argumentar que as pessoas que mais recebemos para consultas são, por definição, “anormais” de alguma forma. Treinar cegamente todos os cérebros para se tornarem medianos em todos os sentidos, tem potencial tanto para se livrar de coisas boas que gostamos em nós mesmos, como para nos ajudar a funcionar melhor.

Onde o Normal Funciona

O conceito de normal pode ser útil em um formigueiro ou em uma colmeia ou em uma linha de montagem. Não se espera desses indivíduos que sejam realmente “individualizados”, mas sim partes de uma entidade macro (a colmeia ou a colônia). Nesses casos, o indivíduo é o que ele faz. Mas, ao menos na cultura ocidental, são exatamente as diferenças que cada indivíduo guarda em relação ao modelo, que fazem dele ou dela especial ou desejável ou valioso. Nós reconhecemos que é o nosso cérebro – nossos conjuntos altamente individualizados de hábitos energéticos, que se desenvolveram ao longo das experiências que tivemos – que produz nosso gênio específico, nossas paixões e nossas singularidades.

Os médicos podem medir funções de um pâncreas, de um coração, de uma bexiga ou olhar para as relações em nosso sangue. Eles podem comparar estes sistemas relativamente simples e funcionais com as normas populacionais para identificar os problemas de saúde. Mas um cérebro não é um rim. Ele está realizando centenas e milhares de funções a cada momento. Ele está constantemente se redefinindo, filtrando, integrando e respondendo a dezenas de estímulos a cada milésimo de segundo, produzindo pensamentos e ações, lembrando, sentindo, regulando. Ele, literalmente, como discutimos anteriormente, cria o próprio universo em que cada um de nós vive.

A suposição de que um sistema tão notavelmente complexo e multifacetado deva ser descrito e direcionado para um conceito estatístico de normal seria risível – se não fosse a base de muito do trabalho que está sendo feito hoje em dia para ensinar o cérebro a se mudar.

Bancos de dados úteis

Bancos de dados populacionais podem ser úteis para nos ajudar a identificar tipos específicos de cérebros. Se em um estudo dos melhores músicos se descobre vários padrões cerebrais específicos, que geralmente existem entre eles e raramente são encontrados no cérebro “mediano”, isso pode ser útil na seleção de pessoas para estudar música.

Os investigadores têm procurado exatamente tais padrões energéticos, correlacionando-os a uma gama de traços desejáveis ​​e indesejáveis. Como é que os cérebros das pessoas que apresentam os melhores desempenhos diferem do restante dos demais? O que faz com que os cérebros de pessoas altamente criativas e solucionadoras de problemas se destaquem daqueles que só sabem pensar dentro da caixa? Quais padrões se correlacionam com depressão ou raiva ou medo? Que tipos de cérebros têm dificuldade de concentração? Estas questões, e muitas outras, deram-nos uma base para uma forma mais simples, mais barata e mais poderosa de avaliar e treinar cérebros.

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